Vivendo no automático

“Esse texto foi escrito após uma noite em claro, à sombra de uma grande mudança que está por vir”.

Cansado(a) da rotina? Do stress? De fazer sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito, dia após dia? Seus problemas acabaram! Só que não. Problemas nunca acabam. Mas o modo de enxerga-los pode mudar, e isso faz bastante diferença.

Acordar, café, trabalho, almoço, trabalho, casa, dormir, repetir. Quase todos que conhecemos reclamam ou já reclamaram dessa repetição na vida, e mesmo assim continuamos a fazer as coisas sem pestanejar. Vivendo com o modo ‘auto’ ligado. Por que a rotina é tão indesejável quanto presente?

Esses ‘surtos de realidade’ que temos de vez em quando, e paramos por alguns instantes para refletir sobre como “perdemos” nosso tempo, podem ser mais bem aproveitados se pensarmos na rotina também como uma coisa perfeitamente normal e aceitável. Afinal, como seres vivos, realizamos funções básicas que são essenciais para continuarmos de pé. E fazemos isso todos os dias sem questionar porque comemos e dormimos todos os dias, por exemplo, da mesma forma que questionamos o porquê de termos que trabalhar, estudar, cuidar da casa, cuidar da aparência, e outras rotinas. Ao observarmos outras vidas, que parecem tão mais brilhantes e divertidas que as nossas, não reparamos que o outro também está ocupado em sua própria rotina; por outro lado, ao observarmos a rotina do outro, compartilhamos da mesma tristeza que sentimos quando pensamos na nossa. Raramente o pensamento flui para um caminho positivo quando pensamos na rotina.

A questão do tempo é importante para este assunto. Nós humanos somos os únicos (?) seres que medem o tempo, dias, horas, minutos, compromissos marcados. A pontualidade é uma característica bastante valorizada no mercado de trabalho. E com a medida do tempo, vem o medo do tempo perdido. O anseio de fazer algo diferente, algo que nos satisfaça, que ultrapasse o nosso próprio tempo e permaneça o máximo possível através da memória (trecho patrocinado por desilusões de um aspirante a artista, haha) cria esse ‘surto de realidade’ quando paramos pra pensar “O que eu tenho feito?”

Deixando o desespero de lado e voltando à rotina, podemos encará-la como uma aliada aos nossos planos. Afinal, uma mudança drástica na vida (o que não deixo de encorajar, vale a pena ressaltar) gera novos questionamentos que nem todo cidadão consegue encarar com a mesma fé. Em vez do discurso de sair da zona de conforto, podemos fazer uma pequena ‘repaginada na zona’ ao prestar atenção em detalhes que escapam no dia a dia. A mente humana é programada naturalmente para se concentrar apenas ao essencial, e se não exercitarmos a mente, deixamos de ver, ouvir e sentir pequenos detalhes que não estavam ali numa primeira olhada. Na próxima vez que for à labuta, ao invés do mau humor de segunda-feira, tente observar as pessoas ao redor. Você irá encontrar pessoas abertas a novos diálogos, novas amizades, que levam a novas experiências. A mesma rua que você passa todos os dias no seu percurso pode trazer coisas novas, uma loja, um mercadinho, um boteco, um parque. Ouvir uma música nova e diferente do que costuma ouvir, um trajeto novo de casa ao trabalho, sempre que estiver inspirado, exercite pequenas mudanças, e quando o tempo passar (e de novo a gente não percebe), a pequena mudança gera uma rotina novinha em folha, pra depois começar tudo outra vez.

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