Nós

Existe um tipo de mudança, que não vem como uma tomada de decisão, nem por necessidade muito menos por opção, acontece. É inerente ao ato de viver. Não existe uma preparação para ela, quando menos percebemos já estamos lá, parados num canto qualquer sendo consumidos pelo casulo, e como qualquer outra coisa que pareça nos absorver, tememos.

O temor vem seguido de angústia, por vezes queremos nos desvencilhar dessa situação, retardar o processo, ou driblar o acontecido tentando forjar uma tomada de decisão, mas é inútil. Aquilo tem que acontecer, e tem que ser dessa maneira, como se fosse um lembrete da Eternidade com a singela mensagem: Há algo a mais, nem sempre você está no controle. Esse processo de resistência faz parte, inclusive a derrota. Afinal, percebemos que de fato está além de nossas forças e tentar se livrar desse acontecimento só vai torná-lo ainda mais amargo, e então só nos resta aceitar o fato, respirar fundo, e deixar-se transformar.

Não é rápido, e muito menos fácil, mesmo depois de aceitar a sentença, carregar esse fardo nos trás dores. Primeiro porque não tivemos tempo de dar adeus ao nosso eu antigo, tantos planos que pareciam estar se encaminhando agora estão mais nublados do que tudo. Aquela vida que a gente custou a se acostumar, as dificuldades que já estava calejando o nosso cotidiano estavam quase sendo controladas, suportadas, quase superadas,de repente já não o seria mais, teriam outras não planejadas dificuldades.

Fora a sociedade, os amigos, que por mais que desejem de fato entender o que se passa com você não vão nunca sentir a angustia, nem o medo a dor e muito menos aceitarão com facilidade esse processo nem as mudanças que se seguirão. E enquanto vemos com pesar tudo o que está se sucedendo, também olhamos para eles, os fieis amigos, esperando e apenas esperando, pois é o que nos resta, que eles um dia possam compreender, e mesmo que não o façam possam continuar nos amando durante a mudança e depois dela. Porém se for da vida que venhamos a nos separar, que assim seja, fiquemos pois com as partes mais lindas de nossa história, a lembrança e o saudoso amor, que como amor, é eterno, embora não venha a arder mais, sempre estará lá.

E nesse mesmo espirito, sucumbimos a vida, a suas faces e fases, nos deixemos ser tomados pela inesperada mudança, é certo de que a essência se manterá, e nela nos agarramos, a fim de seja suficiente, que possamos reconhecer ela e nos reconhecer nela, e que ela seja verdadeiramente nós.

 

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