O Rio

Escuro, faíscas de luzes de todas as cores e uma dor fina e quase imperceptível.

Nesse caminhar a lentos passos, respirando, um dia de cada vez, me apoiando em árvores lindas, montanhas exuberantes e campos esverdeados. Eles me conhecem tão bem, cada olhar, cada sorriso, cada gesto. Mas ainda me sinto angustiada. Torno a caminhar a lentos passos, procurando um refúgio novo onde eu pudesse pendurar muitas cores e quem sabe aquele fio de dor fina.

Dias e dias a explorar a vida, em poucos momentos sinto aquela vontade de me aventurar, de encontrar outros lugares e foi quando, me jogando de vento em vento, senti uma sensação conhecida: aquela que enche o peito de esperança quando você encontra um pedaço da sua vida que estava perdido há tempos. A sensação me veio quando encontrei um rio; era lindo, limpo, era impossível não querer desfrutar, estar perto. Foi como um imã. Sentei na beirada e deixei me levar pelo som, o som doce de uma risada inconsequente. Mergulhei uma de minhas mãos no rio e senti mais fundo um alivio passar por entre meus dedos, era fresco e namorei o rio mais alguns minutos antes de mergulhar em suas águas. Assim que entrei no rio percebi que sua beleza se dava não apenas por suas águas suaves e transparentes mas também por sua profundidade e a imensidão. Além das pedras que encontrei aqui e ali, o rio era perfeitamente complexo. E ele me acolheu com tanto amor, que apesar de sua complexidade eu me deixei levar, mergulhei em suas águas e ele me abraçou. Ri com o som da correnteza, comecei a explorar com cautela e em um certo ponto comecei a perceber que o rio estava indo de encontro com uma parte profunda de minha existência À medida que eu o conhecia, Ele conhecia a mim. E então, enquanto desfrutava do meu banho revigorante, deixei vagar minha mente por outras estradas e meu consciente impreciso entrou no escuro novamente – vi as cores e senti a ponta da dor. Sem que eu percebesse senti então as águas do rio que agora me cobriam até os ombros irem amenizando a angústia aguda que sentia dentro de mim. Me lembrei que estava envolta no abraço do rio. Sorri e mergulhei ainda mais fundo em seu afago carinhoso e saciei aquela sensação que senti quando o encontrei, pois descobri naquele instante que agora eu tinha mais um refúgio onde repousar o meu coração.

E o rio se tornou meu amigo.

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