O abraço do vento

O céu tava mais pra cinza do que pra azul, os ventos fortes sopravam meu cabelo com violência para trás. Eu me aproximei da ponta daquela pedra enorme no alto da montanha, claro que não consegui ignorar 100% meu medo de altura, mas o fiz mesmo assim, porque eu tava indo contra a direção do vento, e eu sentia que ele ia arrancando de mim toda a minha ansiedade com a mesma violência que penteavam meu cabelo. Sabe aquele alívio que as vezes ansiamos de então não ter mais problemas? foi o que eu senti. Ouvia o mar espancar as pedras, e me sentia simplesmente em paz.

Naquele momento, a natureza estava me abraçando e fazendo exatamente o que queremos fazer quando vemos alguém que amamos triste, ela estava tomando de mim todo sentimento agitado de ira, de nervosismo, de sofrimento, de dor, e me deixando leve. E assim leve, eu pude refletir sobre as coisas que estava fazendo comigo. Sabe, quando a gente se desprende das coisas que morrem, é que vemos o quanto estamos apegados a elas, se naquele momento nós morremos junto com as coisas, o caso é grave. Nos reduzimos a coisas, e todos sabemos que somos mais. Refleti sobre os vícios, as pessoas tem mil discursos sobre o que é bom ou ruim para nós. Mas não precisamos de discursos, se quisermos nos destruir sabemos exatamente o caminho.

Eu estava definitivamente de frente para o precipício. Eu sabia de todas as coisas, por mais insignificantes que parecessem que me fizeram estar ali naquele lugar.

Mas de que adianta? De que adianta a vida? e se de nada adianta, também a que me adiantará a morte? afinal eu nem sei o que me espera lá. supusemos nós que seja melhor, e se não for? a verdade é que se eu mesma desisti de mim, quem vai querer me suportar? Uma lagrima pesada caiu do meu olho e secou imediatamente. Desisti das coisas, de mim, sou covarde, fraco, a verdade é essa. Procurei de todas as maneiras possíveis culpar a todos e a qualquer coisa pela situação que, na real, eu mesma me coloquei. Desisti das pessoas, desisti da fé, desisti da natureza…! As vezes, quando eu me dava um intervalo fazia mil discursos sobre como tudo deveria ser, chamava tudo e a todos de hipócritas, fala sério! Sempre estive no fundo do poço e nunca quis assumir de fato que o problema dessa zorra toda sou eu. E então o que fazer? Eu nem tenho mais cara pra do nada passar a acreditar nas coisas, refazer, falar de amor, ficar esperançosa depois de toda essa destruição que eu construí, não posso simplesmente tentar fazer dessa lama toda um mundo de maravilhas.

E mais uma vez eu me abraçava tentando me sentir em meio aquela anestesia de sentimentos.

Sabe… Talvez, eu ainda possa transformar a lama…
Ah! prefiro me lamentar, soa mais poético, e também sei que ninguém é feliz mesmo, todos fingimos.
Também sei que nem eu, que tanto sofri e nunca escondi, também finjo.

Sabe… Queria ser feliz.
Queria ter uma chance.
Queria que alguém me abraçasse como a natureza.

Sem nenhum tipo de resposta, nem de adulações me despedi do vento, agradeci e saí.
Suspirei e sorri, sem razões ou motivos, e sem entender a mim e as coisas da vida.

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