A Moça e o Corredor

Ela olhava pra si,

large

E via um grande corredor  que dava acesso a varias câmaras, algumas permaneciam sempre abertas, dessas podia-se ver dias maus e dias bons, sol e chuva, sorrisos e lagrimas, cores quentes e frias, tudo em exposição para quem quiser apreciar, essas eram as salas mais visitadas pela moça, chegava a ser clichê, era onde ela recorria sempre que tinha que ser superficial a respeito de si e dos seus sentimentos, eram as justificativas mais facies de dar a si mesma, as usava sempre que possível.

Mas as vezes, ela ficava mais tempo perdida naquele enorme corredor, olhava com ansiedade aquelas câmaras de fácil acesso, entrava e saia delas com tanta rapidez, não conseguia se satisfazer olhando aquelas exposições tão manjadas. A partir de então podia observar as outras câmaras, as que ficavam com as portas entreabertas, eram mais cinzentas essas, porque geralmente não havia nada definido ali. A moça entrava e ficava preenchendo o espaço de acordo com os passos que se permitia dar naquele espaço em contraste com o tempo que se dedicava ali.

Quase sempre, quando se permitia doar um tempo significativo a montagem e descoberta das câmaras entreabertas ela achava uma passagem secreta, essas eram seladas a chave, a qual ela tinha que procurar também na câmara a qual preenchia aos poucos, quando achava tratava de explorar o espaço recém descoberto.

Esses espaços eram sempre uma grande surpresa, as vezes era um buraco enorme todo branco ou todo preto, as vezes ela se encontrava em uma jaula, ou em um amaranhado de correntes ou cordas, também já aconteceu dela se encontrar no céu, ou em um enorme buraco negro, flutuando sobre a vida e sobre si mesma, enfim, mas sempre que ela saia dessas câmaras secretas, as salas entreabertas ficavam totalmente preenchida, mesmo que ela tivesse abandonado o trabalho pela metade pra explorar a passagem secreta quando voltava, PANZ!, tudo tinha se definido, e quando terminava o árduo trabalho nas câmaras entreabertas esta passava a ser mais um espaço de fácil acesso.

Acontecia também, da moça terminar uma câmera entreaberta e ter que passar em uma aberta pra poder reorganizar as coisas por lá, outras vezes, por mais que sentisse vontade de organizar as salas ela se controlava e optava por caprichar nos detalhes finais da sala entreaberta e deixava a outra sala aberta lá só pra matar as saudades dela de vez em quando, mesmo que nem tudo que ali tinha fizesse, agora, tanto sentido quanto antes.

E assim acontecia, todas as vezes que ela se olhava.

E ela adorava olhar pra dentro de si.

Mesmo que tivesse que passar por toda essa agonia milhares de vezes

Sabia o quanto era importante percorrer todo aquele corredor até o fim.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s